O maker é uma realidade e se torna uma importante ferramenta de ressocialização pós-pandemia

Nos primeiros meses de 2020 o mundo foi surpreendido com a pandemia da Covid-19 e, em poucas semanas, tudo mudou. Foi necessário adotar o isolamento social, os trabalhos passaram a ser realizados de forma remota e os impactos foram sentidos, também, na educação. 

As aulas online, que em um primeiro momento desafiaram professores e alunos, logo foram adotadas pelas escolas e, entre erros e acertos, sobrevivemos. 

Agora, finalmente, as rotinas vão sendo retomadas e a volta ao ambiente escolar, depois deste longo período distantes, tem se mostrado extremamente importante para o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. 

No entanto, em muitos casos, esse movimento não tem acontecido de forma simples e natural. Pelo contrário, ele vem sendo acompanhado de desafios e dificuldades que envolvem desde reaprender a sentar-se em uma sala de aula e compartilhar o espaço até reconstruir vínculos e conexões sociais.

“Sob este aspecto, as atividades mão na massa propostas nos materiais do Nave à Vela podem contribuir positivamente para a ressocialização dos alunos na sala de aula, proporcionando a formação de vínculos afetivos e laços de confiança entre eles. Isso porque os projetos maker e os processos criativos fortalecem e estimulam as interações em um espaço preparado para a co-construção e o compartilhamento de ideias e de experiências, desafiando os alunos a se conhecerem e a reconhecerem as relações de alteridade”, conta Gabriela Hashimoto, Coordenadora de P&D do Nave à Vela. 

André Azevedo, educador do Colégio Cor Jesu, em Brasília (DF), destaca que nada substitui o brilho nos olhos dos estudantes colocando a mão na massa. “A interação e o senso de exploração dos projetos que eles desenvolvem no nosso espaço maker vem representando uma importante ferramenta para que se sintam acolhidos no retorno das aulas presenciais”, ele explica.


Aprendizado em grupo

Partindo do princípio que toda a construção do conhecimento é coletiva, um dos principais pilares pedagógicos é fomentar o trabalho em grupo e usufruir de todos os benefícios que ele proporciona.

E, de acordo com Gabriela, quando o aluno faz parte de um grupo e é inserido em um ambiente desafiador, porém acolhedor, ao ser colocado diante de uma situação problema ele é capaz de desenvolver relações de confiança e cumplicidade com seus pares. “Isso pode parecer algo simples e corriqueiro, porém exige deles empatia para lidar com a diversidade do grupo – tanto em experiências como em opiniões – e colaboração para contribuir com a construção de soluções que considerem a pluralidade de informações”

Sim, o trabalho em equipe pode ser transformador. “Um aluno do colégio desenvolveu uma certa “fobia” social. Deixou de vir às aulas e isso prejudicou bastante o seu desenvolvimento pedagógico. Após as primeiras aulas maker, no entanto, ele ficou encantado com a proposta, começou a interagir muito mais com os colegas e colaboradores, a participar das atividades em grupo e hoje está totalmente integrado a nossa rotina escolar”, conta o educador do Colégio Cor Jesu.

Um ambiente coletivo, mas que respeite as individualidades, traz a segurança que o aluno precisa, principalmente neste momento de retorno à escola, para se expressar, propor caminhos, errar, refletir sobre suas escolhas e, por fim, conduzir e consolidar o seu aprendizado. E isso é ser maker!


O maker é uma realidade

As atividades maker ainda transformam e fortalecem a relação do estudante com o conhecimento, tornando-o protagonista de sua aprendizagem. Neste lugar, ele consegue vivenciar experiências compartilhadas que, além de conectar conceitos formais do Ensino Básico à prática do fazer, potencializam qualidades próprias de pessoas inovadoras, como a confiança, a curiosidade e a criatividade. 

Esta condição está presente em diversos momentos das jornadas de todos os materiais do Nave, progredindo de acordo com os segmentos. Ela aparece desde a Educação Infantil (onde as rodas de conversas possuem um papel relevante na criação de hipóteses), se fortalece no Ensino Fundamental (onde os alunos navegam entre o trabalho individual e coletivo, experimentando suas diferenças), e se torna imprescindível no Ensino Médio (quando o trabalho em equipe se torna essencial para a condução, execução e validação de todo o processo criativo e prototipação de soluções).

Ou seja, o maker trabalha temas conectados ao universo do aluno, de acordo com seu segmento e faixa etária, e se faz presente em todas as coleções do NAV, porém em diferentes abordagens:

Engenhocas (Ensino Infantil): o Maker brinca para conhecer a realidade.

Guia do Inovador das Galáxias (1ª a 4ª série do Ensino Fundamental): o Maker investiga a realidade.

Missão Maker (5ª a 9ª série do Ensino Fundamental): o Maker questiona a realidade.

Decole nas Ideias (Ensino Médio): o Maker transforma a realidade.

 

Vale lembrar que todas as coleções partem da nossa BCCI, que é a nossa Base Curricular para Cultura de Inovação, metodologia exclusiva do Nave à Vela que embasa todo o conteúdo pedagógico e está conectada com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).


O desenvolvimento de habilidades essenciais

A criatividade, assim como o desenvolvimento de habilidades que permitam ao aluno pensar fora da caixa e buscar novas soluções é fundamental e ganha ainda mais relevância neste período pós-pandemia. E as aulas maker representam uma importante ferramenta nesse processo, mais uma vez, ao ampliar o repertório de conhecimento e estimular o aprendizado de novas formas de expressão. Entre erros e acertos, compartilhamento de ideias e caminhos para a solução de um problema o aluno lida com diferentes sentimentos e emoções. 

André conta que procura misturar os alunos com habilidades distintas em um mesmo projeto, para que eles possam despertar interesses que muitas vezes, por medo, não tinham coragem de tentar. “Na aula de criação do foguete propulsado pelo ar, por exemplo, começamos estudando um pouco a história da exploração espacial e conhecemos algumas das tecnologias mais modernas. Eles ficam impressionados e, às vezes, têm receio de não conseguir desenvolver o projeto. Mas, assim como na exploração espacial, acabamos aprendendo mais com os erros do que com os acertos. E aqui não é diferente. Se não der certo, analisamos os erros, fazemos os reparos e seguimos evoluindo”, conta o educador que ainda destaca não haver limites para o que pode ser alcançado através das aulas maker. “Conseguimos explorar e despertar o interesse dos estudantes em diversas áreas do conhecimento, e de forma lúdica, colaborativa e divertida. Tenho um aluno que, após realizar uma atividade de modelagem 3D, gostou tanto que se aprofundou nos estudos por conta própria e conseguiu criar um pequeno curta metragem de uma história que ele mesmo já havia desenvolvido.”

“Unir a mentalidade maker à proposta pedagógica da escola significa olhar para o aluno de maneira integral, não apenas como um ser em formação, mas sim como um ser social que mantém relações com o mundo e que, partindo da sua observação e da elaboração de questionamentos críticos, conseguirá atuar sobre ele e transformá-lo se assim o desejar. Neste momento, e para a vida inteira, o aluno poderá assumir o papel de um verdadeiro agente de mudança, seja em sua escola ou em sua comunidade”, conclui Gabriela. 

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