Através do Maker: envolvendo educadores em uma nova forma de ensinar

Também conhecida como Cultura Mão na Massa, a Cultura Maker tem se difundido no mundo de forma surpreendente. Para quem ainda não sabe, essa cultura parte da premissa de que todo mundo é capaz de criar e reinventar objetos, além de realizar projetos incríveis.

 

Há pouco tempo, postamos dois textos para falar sobre o que é possível fazer através do Maker. O primeiro conta como a Cultura Maker pode ser usada com o objetivo de aprender a usar as novas tecnologias para criar e realizar projetos/objetos.

 

No outro, falamos de algumas práticas desenvolvidas através do maker para potencializar competências socioemocionais necessárias, como empatia, colaboração e autonomia, para viver em sociedade no mundo atual.

 

Através do maker muitas coisas podem ser feitas. Entre elas, estão o letramento tecnológico, o desenvolvimento de competências socioemocionais e a formação de professores.

 

Mas há como formar professores através do Maker?

Claro! A Cultura Maker veio para “sacudir” algumas estruturas. Entre elas, a escolar. Com o mundo em constantes mudanças, é impossível evitar que a maneira de aprender e ensinar também sofra significativas alterações.

Isso porque esse novo cenário educacional exige do professor uma outra postura e um outro papel. Muitos professores já têm percebido isso. Juliana Sartori, gestora de Inteligência Pedagógica do Nave à Vela, comenta que o trabalho do professor tem deixado de ser informativo para se tornar mais propositivo. “Ele agora tem mais um papel de facilitador, de conduzir processos educativos e não mais de detentor do conhecimento”, afirma.

A partir desse contexto, a pergunta que não quer calar é:

Como o professor pode se atualizar e se empoderar desse novo papel?

Com cursos de Design Thinking e de metodologias ativas, por exemplo. Porém, é importante ressaltar que esse empoderamento é um processo contínuo de aprendizado.

 

E onde o Maker entra nessa formação?

Tais cursos são teóricos. Falta a prática. Falta o professor se apropriar da Cultura Maker e do Espaço Maker para ele se colocar no novo papel. A formação do professor através do maker se faz na premissa dessa cultura: aprender fazendo.

 

Juntar a teoria à prática o ajuda a planejar a aula de outra maneira e em outro lugar (Espaço Maker). O professor começa a agendar aulas nesse espaço para ensinar o conceito de circuito elétrico e promover uma experimentação livre com os alunos, por exemplo.

 

Nesse processo, há uma troca muito rica entre facilitador do Espaço Maker e o professor, que pede apoio e suporte ao facilitador para preparação das aulas. Há escolas, inclusive, onde os dois prototipam a aula juntos. E isso é essencial para a formação de professores.

 

Muitos deles já se interessam e se engajam nesse propósito, indo atrás do conhecimento relacionado a esse novo papel. Alguns já levam metodologias ativas às salas de aula e têm trabalhado com projetos. Eles vivem contando o quanto é legal ver o engajamento do aluno por conta de suas descobertas.

 

Portanto, toda a formação de professores só acontece se eles virem sentido e relação entre o que acontece nesse espaço e os para a formação de seus estudantes.

 

Como fazer isso acontecer?

A Juliana  nos dá algumas dicas: “A grande chave para o professor se engajar no processo é quando ele vê o envolvimento do aluno, quando ele vê que o aluno começa a produzir coisas novas, a criar coisas novas [no Espaço Maker].”

 

Além disso, é necessário explicar para o professor que unir o Espaço Maker com a sala de aula é super importante para o aprendizado do aluno. Sem essa união, o que é experimentado no Espaço Maker perde todo o sentido. Se o aluno acende um LED, por exemplo, mas não entende como isso aconteceu, o aprendizado não foi gerado. Da mesma forma, se ele só sabe o conceito, mas não experimenta na prática, fica sem se apropriar do conteúdo.

 

Esse diálogo acaba também fazendo com que o professor se sinta parte desse processo. Como consequência, ele se engaja mais.

 

Através do maker há uma troca entre os professores e o Nave à Vela

Eles são a nossa inspiração. “A gente se alimenta da visão que eles têm do processo educativo”, comenta Juliana. Ao mesmo tempo, promovemos algumas mudanças quando eles passam a se interessar mais pelo que nós oferecemos: Cultura Maker, Espaço Maker e Cultura de Inovação.  

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