FRAN NA FEBRACE

De Moju para o mundo: como um caroço de açaí pode transformar vidas?

Foi deste questionamento que a estudante do ensino médio Francielly Barbosa, de 16 anos, encontrou uma solução para a comunidade em que mora, no município de Moju, interior do Pará. Através de pesquisa realizada em parceria entre o Clube de Ciências de Moju e a Escola Ernestina Pereira Maia, na qual Fran estuda e participa do projeto de iniciação científica.

O bairro Paraíso, onde a estudante reside, é uma região de condições precárias. Nele, os moradores utilizavam lixo orgânico para a fundação das casas, o que resultou em rachaduras nas paredes e pisos, além de um cheiro de gás. Curiosa, Fran começou a pesquisar possíveis causas e soluções para esse problema.

“Elaborei um questionário com 14 perguntas e distribuí para 150 pessoas em 10 bairros. Eu percebi que 75% dos entrevistados utilizavam lixo para fazer as fundações da casa,  isso é uma prática comum em Moju, já que muita gente não tem dinheiro”, explicou a estudante.

Com a ajuda de sua professora, Danielle Siqueira, Fran conseguiu chegar em uma solução: usar sementes de açaí carbonizadas como alternativa. “Fiz uma mistura de 75% do carvão do açaí e 25% de argila, que é encontrada muito em nossa região e todos têm acesso, para ajudar na fundação das casas”.

Conheça um pouco mais da história da Fran:

 

Slide Anything shortcode error: A valid ID has not been provided

 

 

Uma jovem cientista: trabalho duro e reconhecimento!

Fran começou a buscar a alternativa ainda no 1º ano do ensino médio, mas só em 2018, após participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que o trabalho foi reconhecido. A estudante recebeu 10 prêmios pela pesquisa. Não só isso, ganhou a oportunidade de viajar até Boston, nos Estados Unidos, para conhecer o MIT e Harvard.

“É uma mistura de tantas coisas. Medo de viajar muitas horas de avião, se vou ser recebida bem. É a realização de sonho, de uma vida. É muita felicidade, muita adrenalina!”, contou Fran. A jovem cientista não vê a hora de compartilhar a experiência com outras pessoas.

“Vou fazer o meu melhor e mostrar que é possível fazer a diferença, independente de condição financeira. Quero palestrar, mostrar tudo o que eu aprendi lá para botar meu projeto em prática e movimentar pessoas”, complementou.

A viagem, um de tantos prêmio que Fran ganhou, foi patrocinada pelo Nave à Vela. A jovem embarcou no dia 5 de outubro junto aos alunos do Colégio Santa Cruz para o programa Internacional Innovation Experience. Durante a viagem, Fran e os estudantes terão a oportunidade de se conectar com o ecossistema de inovação de Boston e prototipar soluções em diferentes espaços makers.

Em rede para ir mais longe: a vaquinha

Para arcar alguns custos, como viagem a São Paulo para a emissão do visto, Fran encontrou uma rede de apoio. Na internet, uma “vakinha” foi organizada para que a estudante consiga resolver todas as burocracias antes da viagem internacional e também conseguir participar de outros congressos pelo Brasil.

Além do MIT e Harvard, em Boston, Francielly espera participar dos seguintes eventos:

  • 24ª Ciência Jovem, no Recife (PE)
  • MOSTRATEC, em Novo Hamburgo (RS).

“Minha comunidade tem me ajudado como pode, mas poder participar dessas oportunidades é propor que podemos fazer coisas incríveis”, disse Fran durante a entrevista.

Rotina comum para a estudante brasileira

Com uma veia para a ciência, Fran ainda brinca ao dizer que tem uma rotina comum. Caminha todo dia um trajeto de pouco mais de uma hora até a escola e, por não ter internet, usa a da professora para fazer as pesquisas do projeto.

“Saio às 6h15 de casa e chego de volta perto das 13h. Ainda faço trabalho voluntário, toco na banda marcial, preparo bolo e brigadeiro para vender e arrecadar dinheiro”, se diverte contando o que faz no dia a dia.

Mesmo com algumas barreiras, Fran tem muitos planos para o futuro. “Pensei em me formar em química, depois física e biologia. Mas vou fazer Engenharia de Materiais, pois tem a ver com o projeto que eu faço. Quero também desenvolver materiais mais acessíveis e uma especialização em libras, que sou apaixonada!”, finaliza.

 

Contribua para o projeto da Fran clicando aqui!

comentários