Como trabalhar as competências da BNCC por meio de atividades em espaços makers?

No fim do de 2017 foi aprovada a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mas você sabe quais são as propostas desse documento e como ele interfere na rotina escolar? Listamos os principais pontos sobre a BNCC e como os espaços makers podem colaborar para o desenvolvimento das competências descritas na Base.

 

Basicamente, a BNCC especifica quais são as principais competências que todas as crianças devem desenvolver durante a educação básica. O documento foi elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) com a proposta de orientar a construção dos currículos e as propostas pedagógicas de escolas públicas e particulares de todo país.

 

É importante lembrar que após a aprovação da BNCC, as instituições de ensino têm até dois anos para adaptar seus currículos ao que determina o documento.

 

A BNCC definiu um conjunto de dez competências gerais que vão atuar em três aspectos de formação do estudante: construção do conhecimento, desenvolvimento de habilidades e formação de atitudes e valores.

 

Vamos conhecer o conjunto de competências gerais propostos na BNCC?

 

Conheça as dez competências gerais da BNCC

 

  1. Usar conhecimentos sobre o mundo físico, social, cultural e digital, os alunos para entender e explicar a realidade. E, assim, contribuir para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

 

  1. Recorrer à abordagem científica — incluindo a investigação, reflexão, análise crítica, imaginação e criatividade —, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções.

 

  1. Valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

 

  1. Usar diferentes linguagens – verbal, corporal, visual, sonora e digital –,para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos.

 

  1. Compreender, usar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e  resolver problemas.

 

  1. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que possibilitem entender as relações do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania.

 

  1. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global.

 

  1. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo- se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

 

  1. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

 

  1. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

 

Implementando determinações da BNCC com auxílio de espaços makers

 

Oferecer uma educação alinhada a essas determinações não é tarefa simples. Por isso, muitas escolas têm apostado em novas estratégias metodológicas, como a do movimento maker,  que incentivam o protagonismo dos estudantes, como forma de trabalhar as competências da Base.

 

O movimento surgiu com a ideia de que qualquer pessoa seria capaz de construir, consertar e modificar seus próprios bens. Diante disso, tornou-se comum a presença de surgir espaços equipados com diversas ferramentas, como impressoras 3D e ferramentas de eletrônica, entre outros materiais, que ajudam os makers — ou fazedores —, na construção de seus projetos.

 

A utilização desses espaços makers  nas escolas estimula, por meio das atividades mão na massa e do desenvolvimento de projetos, sobretudo, a criatividade, colaboração e autonomia dos alunos. Porém, os protótipos e projetos  desenvolvidos nesses ambientes podem ser utilizados, também, em aulas curriculares, o que evidencia o potencial pedagógico dos espaços Maker.

 

Além disso, os espaços makers podem auxiliar na adequação das escolas às determinações da BNCC.

 

Habilidades da BNCC trabalhadas dentro de espaços maker: 3 exemplos

 

Abaixo, damos alguns exemplos de como trabalhar as competências e habilidades da BNCC dentro de um espaço maker. Confira:

 

  • Exercício do pensamento científico, crítico e criativo

 

Ao colocar a “mão na massa” e criar seus próprios projetos, os alunos conseguem aplicar os conceitos que aprendem na teoria. Dessa forma, os estudantes se conectam de forma mais profunda com os conteúdos ensinados, identificando seu funcionamento prático e significado.

 

Além disso, ao trabalhar no espaço maker, o aluno tem oportunidade de experimentar novas ideias, indo além do que é trabalhado no currículo escolar e exercitando sua criatividade .

 

Ao  elaborar de um projeto, com etapas, desde a concepção da ideia até a construção dos protótipos, o aluno é encorajado a:

  • Pesquisar,investigar e filtrar informações de forma crítica.  
  • Definir de forma mais autônoma o que pretendem fazer (hipóteses).
  • Escolher qual a melhor maneira de executar suas ações.
  • Tirar as ideias do papel e construir o projeto em si.

 

Isso estimula os estudantes a explorarem novos conhecimentos.

 

  • Habilidades socioemocionais

 

Essas habilidades ajudam os alunos a trabalharem melhor suas emoções. Autonomia, cidadania, autoconhecimento, criatividade e pensamento crítico são algumas das principais competências que podem ser desenvolvidas e que estão dispostas na BNCC.

 

Essas habilidades são cada vez mais valorizadas nos ambientes de trabalho e, por isso, é importante desenvolvê-las desde os primeiros anos da educação básica.

 

Em espaços Maker é comum promover atividades que deem aos estudantes a chance de trabalharem colaborativamente em um mesmo projeto. Os alunos também são estimulados a lidar com os fracassos, por meio de desafios propostos pelo educador, e compreendem que errar faz parte do processo de construção da aprendizagem.  

 

  • Desenvolvimento tecnológico e gerenciamento de projetos

 

Victor Scopacasa, designer no Nave a Vela, ressalta que através das atividades realizadas nos espaços maker, os alunos conseguem desenvolver outras habilidades, além das socioemocionais. Podemos destacar aqui o aumento da compreensão desses estudantes sobre o mundo digital e a capacidade de estruturar, de maneira eficaz, os projetos que elaboram.

 

Para isso, é apropriado utilizar técnicas que ajudam a trabalhar essas atividades no dia a dia, tais como:

  • Estímulo ao desenvolvimento do pensamento visual
  • Uso de esquemas e diagramas para entendimento de conflitos
  • Pesquisas de campo

 

Fica evidente que, de fato, a utilização de um espaço maker pode auxiliar na adequação das escolas às determinações da BNCC. Porém, segundo Victor, é importante a escola estabelecer uma dinâmica própria para que essa implementação seja feita aos poucos e conforme a necessidade dos alunos.

 

Se interessou pelo assunto e quer entender mais sobre os espaços maker e atividades que podem ser desenvolvidas nesses ambientes? Então, continue acompanhando nossas publicações e fique por dentro das principais novidades sobre cultura maker.

 

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