evasão escolar

A sua escola tem evasão escolar?

Muita gente imagina que evasão escolar só acontece nas escolas públicas.

É certo que a necessidade de começar a trabalhar para ajudar no sustento da família, a violência no bairro, a dificuldade para pagar material e uniforme, a distância da casa ao colégio, entre outras, são as principais causas da evasão escolar no Brasil.

Mas o fenômeno, que normalmente é vinculado à realidade das escolas públicas, também ocorre nas escolas particulares, ainda que em menor escala.

Muitas vezes a evasão escolar não tem nada a ver com motivos financeiros.  Pesquisas indicam que 40% dos estudantes matriculados em escolas privadas do Brasil abandonam os estudos, principalmente, porque se sentem “invisíveis”, ”deslocados”, ”sem estímulo” e sem interesse no aprendizado.

No ensino médio, atualmente 11% do total dos alunos das escolas públicas e privadas abandonam a escola antes de completar o ano. A taxa nacional média de evasão escolar caiu entre 2007 e 2013, mas voltou a subir em 2014, segundo o Ministério da Educação. Nas redes públicas estaduais, o índice chega a 9,4%, enquanto na rede particular de ensino a taxa de evasão é de 3,6%.

 10 causas que levam à evasão nas escolas particulares:

1)        Falta de interesse nos estudos

2)        Falta de dinâmica nas atividades curriculares

3)        Falta de inovação na escola

4)        Violência física ou psicológica (bullying)

5)        Dificuldade ou extrema facilidade de aprendizado / falta de desafios

6)        Falta de contextualização do currículo à realidade

7)        Sentido de não-pertencimento ao ambiente

8)        Excesso de conteúdo

9)        Limitações físicas (necessidades especiais ou doença grave)

10)      Reprovações cumulativas

 

Em busca de uma nova educação

Há praticamente um consenso de que o sistema educacional brasileiro precisa se atualizar.

A alteração do currículo escolar é uma demanda não só dos jovens, mas também do corpo docente, que lida diariamente com o baixo engajamento de alunos em relação ao aprendizado.

Os alunos que estão hoje cursando os ensinos fundamental e médio nasceram na era da internet – e a maioria dos métodos de ensino foi inventada  no século passado, nos moldes de uma sociedade analógica e muito diferente da atual.

Como o sistema educacional brasileiro é regido pelo Ministério da Educação,  que indica diretrizes para as escolas, grande parte das soluções para evitar a evasão educacional dependeria da atuação do poder público. No entanto, uma parte importante do problema pode também ser solucionada por gestores de escolas privadas e suas equipes.

A boa notícia é que já existem muitas iniciativas para combater a evasão escolar acontecendo pelo país. E os resultados são bastante animadores.

 

Os tempos mudaram… e os alunos precisam ser ouvidos

Quantas vezes ouvimos pessoas mais velhas dizerem que a relação entre adultos e crianças era bem diferente antigamente?

Antes, as crianças comiam em mesas e em horários separados e havia clara distinção nos papéis desempenhados entre elas e os adultos. Hoje é o contrário: as crianças participam de tudo, dão opinião, defendem um ponto de vista, e frequentemente são as protagonistas da família.

As escolas precisam se adaptar a essas mudanças. As crianças hoje têm voz e querem ser escutadas. As aulas expositivas, super demoradas, nas quais os alunos somente ouvem e anotam o conteúdo em seus cadernos, não fazem mais sentido. A maioria dos alunos de hoje busca uma experiência mais significativa em tudo que fazem, como interagir com os professores e com os colegas.

 

Cartilha de soluções

Não há uma fórmula única para solucionar demandas tão novas, diversas e que existem também fora das escolas. Mas não há dúvida de que uma escola precisa oferecer um currículo diferente e um programa de aula cada vez mais atrativo, capaz de motivar seus alunos.

De acordo com a pesquisa “Juventudes na Escola – Sentidos e Buscas: Por que Frequentam?”, realizada pelo Ministério da Educação, em parceria com a Organização dos Estados Americanos e a Flacso – Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o professor é um fator fundamental na luta contra a evasão escolar.

Um  bom professor, hoje em dia, precisa saber como inovar em suas aulas e estabelecer um bom diálogo com seus alunos, respeitando as individualidades de cada um deles.

E precisa também saber ouvir seus alunos, conhecer suas limitações, seus interesses e suas demandas e, com esse conhecimento, gerar estímulos na medida certa.

Um bom professor, cada vez mais, precisa ser um bom mentor. Com tantas fontes de informação nos dias atuais, o papel do mestre se atualizou para o de indutor, o de fazer com que os próprios alunos descubram seus interesses e seus potenciais.

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Tecnologia: uma ferramenta indispensável na educação

Nesse contexto de necessidade de atualização dos currículos, a união entre educação e tecnologia tem se mostrado extremamente eficaz contra a evasão escolar. A tecnologia é uma ferramenta poderosa também nas escolas. Afinal, se a tecnologia está transformando as empresas, nossas casas, nosso modo de viver … não poderia ser diferente nas escolas.

Pesquisas apontam ser muito importante conseguir um sistema de estudo híbrido on-line e off-line, que tenha equilíbrio entre as disciplinas humanas e exatas e um currículo com atividades coletivas conectando os alunos entre si e os alunos com os professores. Outra dica de especialistas é a realização diária de chamadas, não somente para acompanhar as presenças e ausências, mas para criar um vínculo maior entre professor e aluno.

Os estudos também chamam a atenção para o fato de que estudantes desmotivados deixam de fazer suas tarefas de casa, param de estudar para as provas, faltam mais às aulas e provocam brigas com seus colegas. Como esses sintomas não surgem de uma hora para a outra, é preciso estar atento, desde o início do ano letivo, para detectar alunos com potencial de evasão.

 

Você conhece a Cultura Maker?

A cada dia ouvimos palavras novas como “inovação”, “empreendedorismo” e “empoderamento”. Cada vez mais as pessoas querem ter protagonismo, assumir as rédeas de suas vidas e, muitas vezes, criar seus próprios negócios.

Para isso, precisam desenvolver habilidades de liderança, competências socioemocionais, empatia, disciplina e saber colocar a mão na massa.

Diante desse cenário tão diferente do passado, é fundamental começar a ensinar tudo isso na escola. Uma estratégia que vem se mostrando muito eficaz é a chamada Cultura Maker, a cultura do faça você mesmo.

A Cultura Maker coloca o aluno no centro do aprendizado, fazendo com que ele se transforme no protagonista na construção do seu conhecimento. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, concluíram que os alunos que vivenciaram a “aprendizagem mão na massa” tiveram um desempenho 30% mais alto do que colegas que seguiram o aprendizado de maneira convencional.

Uma técnica muito usada pelos makers é fazer com que os estudantes pensem em soluções para problemas que enfrentam em seu dia a dia, dentro e fora da escola, como reciclar lixo, cuidar do meio ambiente …

A ideia é estimular os jovens a desenvolverem seu próprio conhecimento a fim de criar soluções para transformar, por exemplo, sucata em uma horta auto irrigável.

O mundo se reinventa a cada dia e o ensino precisa fazer o mesmo. Atender às demandas dos alunos do século XXI é urgente. Cabe aos tomadores de decisão agir para que o sistema educacional cumpra seu papel transformador nessa mudança de era. E, apesar de toda a complexidade envolvida, a fórmula para evitar a evasão escolar pode estar nesta simples equação: conhecimento + criatividade + mão na massa = solução!

 

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